segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Alguns exemplos de desenhos utilizando a técnica do cadavre-exquis






















“O QUE SÃO CADAVRE-EXQUIS?”

Técnica adoptada por artistas surrealistas para provocar a livre associação de imagens fora do contexto habitual. Trata-se de um jogo gráfico sobre papel dobrado. Consiste na realização de um desenho colectivo, sem que nenhum dos intervenientes saiba o que fizeram os outros, aproveitando apenas os traços de ligação (pistas) deixados sobre as dobras do papel. Ao desdobrar, verifica-se, com surpresa, a relação inesperada entre as figuras desenhadas.
Pelo seu carácter insólito, humorístico ou até provocatório, esta técnica proporciona resultados mais surpreendentes se o desenho for intencionalmente figurativo. Sugere-se que os trabalhos sejam pintados pelo grupo, numa 2ª etapa, já depois de observado o conjunto das ligações gráficas, cujo resultado foi imprevisível. A cor funcionará como elemento de ligação, tornando o desenho mais nítido.
A percepção das formas e das cores, através deste processo lúdico, será, certamente, um forte contributo para a descoberta das leis básicas da harmonia e da composição.

De: A Infância da Arte, a arte da infância, Dalila D’Alte Rodrigues, Edições Asa

Uma imagem sem propriedade, é assim que se pode definir os cadavres exquis. Uma imagem de todos e ao mesmo tempo de ninguém. Uma imagem livre.

Durante a década de vinte, os surrealistas desenvolveram uma variedade de técnicas para excitar a imaginação e desvelar o inconsciente. Dentre essas técnicas, criaram ou adaptaram jogos infantis com o objetivo de exercitar o automatismo, bem como para descobrir elementos comuns da imaginação dos seus participantes.

Apesar de aparentarem mera diversão, os surrealistas levavam esses jogos a sério, de modo a funcionarem como caminho de autoexploração e autoconhecimento através do qual esperavam aumentar seu repertório de idéias e imagens a partir da activação do inconsciente.

Foi André Breton quem batizou o jogo,pois o nome surgiu do caso, nas primeiras palavras escritas no resultado do primeiro jogo verbal.


O procedimento para se jogar era muito simples, a receita para o cadavre exquis escrito era: pegar uma folha de papel dobrada o número de vezes correspondente ao número de participantes, na qual cada um escreveria o que passava por sua cabeça sem ver o que tinham feito anteriormente seus companheiros. Claro que havia uma sequência rígida a ser respeitada: substantivo-adjetivo/advérbio-verbo-substantivo, com o objetivo de obter o mínimo de coerência no resultado que ao final seria lido para todos.

Rapidamente, o cadavre exquis adquiriu também uma forma visual ,além da verbal, através do uso das técnicas, inicialmente, de desenho e, posteriormente, de colagem. Esse tipo, apesar de apresentar o mesmo funcionamento do verbal de dobrar o papel várias vezes e das participações ocorrerem na ignorância das contribuições anteriores, tambem tinha as suas regras : o número ideal de participantes era três três e a seqüência a ser seguida é: «cabeça-tronco-pernas......


Cabe salientar que, mesmo com todas essas regras, a intervenção do acaso pela ignorância dos participantes em relação ao que foi escrito ou desenhado anteriormente é a principal responsável pelo sucesso dos cadavres exquis tanto verbais como visuais, afinal com a existência desses factores não há como prever de que modo os participantes integrarão as suas contribuições, uma vez que eles limitam o controle exercido pela razão.

Os cadavres exquis visuais resultam em imagens variadas, caóticas, enigmáticas, únicas e coesas, que tem na sensação do inesperado revelando toda a sua magia. E essa resultado vibrante que revela o inesperado criado pelos próprios produtores/autores ao visualizarem no final do jogo a imagem única e íntegra obtida através da contribuição de cada um deles e que reflete, na maioria da vezes, uma perfeita «telepatia».

A proposta comum de buscar liberdade poética através de uma acção colectiva é a responsável pela harmonia, pela extraordinária correspondência que as imagens possuem e que, por sua vez, sempre causam mais surpresa por ter a capacidade de criar sua própria forma de maneira particularmente única.